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domingo, 1 de fevereiro de 2009

RAID - Sernada do Vouga


Destino: Sernada do Vouga

Peregrinos: Tiagos, Rita, Pedro, Linton

Missão: Preparar o(s) novo(s) peregrino(s) para a sua promessa.

Estado: Concluído

Se tivéssemos feito um diário de bordo, provavelmente este estaria todo molhado e não seria possível lê-lo. Assim como, se tivéssemos apanhado o comboio a horas, provavelmente não apanhávamos o vouguinha. A Rita agradece o segundo, os rapazes agradecem o Primeiro.

O dia de sábado começou bem. Quando se começa a actividade antes das 3h30 há muita confusão. Uns pensavam que se começava no dia anterior, outros no próprio dia, mas com calma, conseguimos todos concluir que era no sábado a partida, mas a hora escapou a um dos elementos. Pneu furado, dizia. Esperamos todos. Só havia 2 vouguinhas. De manha e ao final da tarde. Perdemos o da hora fina, apanhamos o da hora pobre. “Ai… só havia 2? E agora o que vamos fazer? Não acredito”. Disse o elemento atrasado. “Hehe, afinal não apanhávamos. O comboio que queríamos apanhar teve um problema em Silvade”, disse, depois de obter essa resposta no subterrâneo da nossa primeira paragem. Ficamos por Aveiro.
Decidimos desenvolver as capacidades de improviso. Procuramos um meio de transporte alternativo mas sem sucesso. Era uma terra estranha (e continua a ser). “Não me digam que vamos almoçar por cá”, pensaram, talvez, 2 ou 3. A resposta foi afirmativa.
Descobrimos, em Aveiro, o restaurante ideal. Num cais de pequenos barcos. Comemos com as ondas feitas por nós, tivemos de confiar que ninguém ia mandar nenhum elemento à água. Mas não confiamos que ia uma vara.
Aveiro é uma cidade bonita, mas monótona. Sabíamos, da nossa recolha de informação, que o Vouga para a “nossa” terra só iria partir em algumas horas. Mas, achamos que Águeda seria o destino ideal para esperar esse Vouga.

Fomos à descoberta de Águeda e que grande descoberta. “Olhe, sabe como se vai para o museu?”, “Ei, espere, você é chefe?” Quem diria que furar um pneu dava tanta sabedoria. Descobrimos um chefe.
Em plena Águeda, um chefe. Apontou-nos a sua sede, convidou a irmos lá, mas, antes, tínhamos o museu para visitar. O museu possuía um horário só dele. Desistimos, vencemos um lutador que achamos no chão, demos espectáculo e fomos visitar o agrupamento de Águeda.
Era por volta do inicio da actividade de onde viemos (à qual, os rebeldes, obviamente, faltaram) e nós a visitar outro agrupamento. “Ai e tal mas para ir para Itália”. Ficamos uns a olhar para os outros. Certamente, seria a sua Sernada do Vouga. Não entendemos muito bem. Falavam em coisas com asas, capazes de voar e em formas de angariar fundos. Uma festa de carnaval com um papel diferente dos nossos. Não tinha as palavras Bifanas, Cachorros e Caldo Verde. Achamos estranho e um dos elementos do Clã de Águeda afirmou mesmo “Então vão se embora” com um sorriso. E fomos, mais tarde que esse anuncio.
Visitar um Jardim aconselhado por um agrupamento, explorar e de volta à estação. Lá conhecemos 3 pessoas curiosas, mas muito simpáticas. Adriano, Dante e um leitor de Jornal a qual escapou o nome. Enquanto vimos alguma simbologia do clã, estes, que vieram mais tarde, perguntaram-nos, curiosamente, sobre alguns símbolos. Respondemos. Jogamos também cartas com eles. Foi interessante, porque, mais uma vez, havia sempre alguém morto no jogo do costume.

Sernada do Vouga, enfim. Terra bonita para ver de Noite e ouvir lamentos de “não vamos por ai”, “Ai, por ai não”, “Tem aqui bichos?”, “Falta muito” e conclusões brilhantes como “Está a chover”, “Está escuro”. Apanhamos chuva, orientamo-nos pelo escuro, voltamos a trás, sentimos, esperamos, acompanhamos. Quem diria que a noite assustava, mas aproximava? Quem diria que a chuva molhava, desmoralizava, mas aquecia? Naquela noite, isso não importou. Seguimos para uma experiencia nova.
Em uma média maior a 10 anos de escutismo, nenhum de nós tinha montado uma tenda a chover bem. Foi a altura ideal. E conseguimos sobreviver a noite toda, com um fogão espectacular e um cozinheiro à altura. Experiencias novas, num lugar novo com uma chuva como música de fundo e as palavras a voz que acompanhava essa melodia.
Acordamos. Havia uma coisa ainda por fazer. Alias, duas. Uma era afiar os dentes do Tiago Rodrigues, necessários para a próxima tarefa. Uma vara. Uma vara que, consideramos especial. Foi abençoada por uma das maiores noites de chuva que alguma vez tivemos, cortada por dentes, canivetes e baptizada.

Hora de voltar. A saudade era grande. Demoramos a desmontar a tenda, a arrumar tudo… A sair daquele local que de noite era tão estranho e de dia tão acolhedor. E voltamos, sempre naquele espírito de quem faz as coisas porque gosta. Porque quer e por vezes é complicado poder, mas esforça-se. Que não se importa de tomar decisões em conjunto, e, em equipa, decidir o melhor caminho a seguir e ser caminheiro.

As frases mais interessantes que ficaram foram:

“Onde acaba a estrada, começa o caminheiro”

“Ainda há sonhos que se transformam em realidade . Venha falar connosco.”




segunda-feira, 2 de junho de 2008

Valongo 2008

Valongo 2008



Pediram-me para escrever ou descrever a ultima actividade. Dizem-me que o faço bem, duvido.

Penso que a distância entre dois pontos não se devia medir em metros mas em emoções. Daí esta ultima actividade não é mensurável de outra forma que não 23 sorrisos, 8 gargalhadas e duas quase lágrimas.


A actividade não foi grande, mas foi o suficiente para descobrir pensamentos e reflexões que todos fazem sobre o facto de ser escuteiro e sobre ser pessoa. Desde as relações entre as opções do dia-a-dia e as escolhas do sábado. Desde as palavras que servem como confissão, aos quadros que inspiram e espelham o mundo. Passando pelo maquina que quer congelar o que a memoria tende a esquecer…

A verdade é que o que nos uniu foi a vontade de não esquecer o que estava a acontecer. O que juntou as pessoas foi o elo que irá desaparecer no momento em que as nossas vidas tomarem rumos diferentes dos actuais. E foi isso que em grande medida foi discutido, mesmo quando discutíamos a velocidade do nevoeiro sobre o sabor de uma bebida espanhola. Não falamos sobre promessas, não fizemos cartas, não cantamos poemas, não lemos orações. Mas falamos como raras vezes o fazemos, de forma pura e honesta.


Hoje e agora, recordamos a actividade nos seus ínfimos pormenores. Desde a velhinha à entrada do comboio ao cheiro das obras numa igreja. Mas no futuro a actividade irá desvanecer-se. E aos poucos vai tornar-se num pequeno ponto nos anos de escutismo que todos os presentes carregam.
Até que por fim a actividade vai reduzir-se a poucas fotografias e à lembrança pouco clara do que realmente se passou. Mas o que verdadeiramente irá ficar para sempre. Tatuado até ao osso será o tamanho da caminhada e aí lembrarem-mos claramente que tinha 23 sorriso, 8 gargalhadas e duas quase lágrimas. Aí diremos para nós próprios “lembro-me perfeitamente”.

Foi uma boa actividade.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Raid a Drave

Raid a Drave


Miguel Torga como herói por celebrar a vida e a natureza;
Poemas ou partes deles;
Fotografias que não conseguem captar tudo o que nelas imaginamos ver;
Cheiros impossíveis de encontrar em qualquer outro lugar;
Sons puros e meios ingénuos: ora dos pássaros que ocupam o espaço que melhor lhes apetece, ora das águas que correm sempre atarefadas;
Olhar para as flores e tentar encontrá-las nos livros;
Almoçar à sombra e ao sol;
Partilhar um espaço com muitos outros lenços vermelhos e também azuis;
Divertir, conversar e partilhar os pensamentos e as recordações, desde quando éramos pequenos lobitos;
Caminhar, ter sede e calor e mergulhar, ficar com frio, secar e voltar a mergulhar;
Sol, escuridão imensa e estrelas, muitas…
Turistas que nos perguntam pelo restaurante da aldeia ou onde arranjamos os nossos paus (as varas);
Vacas que se atravessam na estrada e olham para nós com ar reprovador como se não nos fossem deixar seguir caminho;
Cabras que correm à nossa frente e respondem aos nossos «mééééés»;
Seis Caminheiros...juntos onde a Natureza ainda resiste tranquila e serena, carregada de paz e de cores...
Foi assim, preenchido com tudo isto, o nosso fim – de – semana em Drave.

Texto por Teresa Sousa


Teresa Sousa, Rita Félix, João Silva, Tiago Almeida, Linton Almeida e Tiago Rodrigues